26 de julho de 2013

Seo Costa por Fernando Florêncio


A sapataria de Duquinha, ficava quase vizinha com a minha casa, a separá-las apenas a casa do Sr. Cícero Gomes e Da.Bela.

De frente para a Pça Padre Leão, ficava a loja com os calçados nas prateleiras, e no fundo a fabricação. Os pés não tinham números. A medida era tirada com o freguês pisando num papelão e o sapateiro riscava do calcanhar e do dedão, daí era escolhida a fôrma.

Lembro dos operários de Duquinha.: Zé de Zaqueu, Lula Felix, Zezinho Calango, Sr Joaquim Laurentino e os filhos (Zito, Francisquinho e Flavio) Tinha João, que falava embolado, parente próximo da família Pereira e…Claudio Moisés, filho de Da. Alexandrina, carinhosamente chamado de Sêo Costa.

Uma grande novidade que chegou a Custódia, mais precisamente no Bar Fênix, cujo dono na época era Netinho de “sêo” Quinca da Barra”, foi uma ELETROLA enorme, cheia de luzes, com uma infinidade de discos compactos que tocavam quando se colocava uma ficha e selecionava a música.Som puro. HI – FI. Quem teve oportunidade de freqüentar o bairro do Rio Branco, no Recife antigo, viu muitas dessas máquinas nos cabarés da Rua do Brum, além dos famosos “Chanteclair e Moulim Rouge”.

Sêo Costa nutria verdadeira adoração pela máquina, curtia uma dor de cotovelo de algum caso mal resolvido, gostava de ver (e ouvir) a máquina tocar.

Devotava uma especial afeição por um baião dolente de Luiz Gonzaga, que falava de alguém que se fora e nunca mais dera notícia. Dizia assim:

“Juazeiro, Juazeiro me arresponda por favor, Juazeiro velho amigo onde anda meu amor.…”

Uma segunda feira, dia da feira, Sêo Costa, depois de várias “lapadas” de Serra Grande, “alugou” a máquina: Botava uma ficha e acompanhava cantando a melodia:

Juazeiro, Juazeiro me arresponda por favor…..5 fichas e Sêo Costa cantando….Juazeiro, Juazeiro….mais 5 fichas e mais Serra Grande, e Sêo Costa cantando junto com a máquina…Juazeiro, Juazeiro….

Quando foi pegar mais 5 fichas, Netinho, o dono do bar,“chiou”:

- Chega Sêo Costa, ninguém agüenta mais ouvir essa música, alem do que outros clientes querem usar a Eletrola.

- É. Tá bom. Respondeu resignado Sêo Costa.

- Demorou mas aprendi a música.

Saiu trocando as pernas e cantarolando: CAJUEIRO, CAJUEIRO……..

Fernando Florêncio
Ilhéus/Ba(19/03/2009)
florencio.fernando@hotmail.com

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